L’Aura

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A essência de uma pessoa. Tudo que tem vida, real ou criada pela imaginação.

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Aprenda a perdoar e seja mais feliz!

Lourdes Possatto
É psicóloga clínica formada pela UMESP, especializada em Gestalt-Terapia e hipnoterapia Ericksoniana; atua com hipnose, técnicas de relaxamento, meditação passiva e ativa e biodança.
Saiba mais contato: colaboradores@lauraportal.com.br
21 de Jul, 2011 11:34

Vivemos a vida e não percebemos que cada dia é, realmente, um novo dia: o que já foi, o ontem, passou e não retornará. O amanhã virá, mas ainda não sabemos como será. Podemos fazer uma idéia, ter em mente uma vida que já conhecemos. Mas isso é uma grande ilusão. O que de fato existe e onde realmente estamos é o hoje. Do ontem, trazemos recordações e podemos aprender com as vivências para não insistirmos em comportamentos que já compreendemos que não foram adequados.

Não devemos nos repreender por termos errado, porque tudo o que fizemos em um determinado momento foi, com certeza, o nosso melhor naquelas condições. Ninguém comete erros de propósito. Compreender isso é muito importante para que possamos perdoar os outros e a nós mesmos. Sim, porque o outro também fez o melhor que ele sabia e podia.

Não é bom para o nosso equilíbrio emocional ficarmos ruminando nossos erros. Fica muito mais fácil perdoar e nos libertar de pesos desnecessários representados por mágoas, ressentimentos e raivas.

Na realidade, nossas mágoas são causadas por nós mesmos ao geramos expectativas sobre como o outro deve nos tratar, o que deve fazer por nós. É importante para um bom início de crescimento emocional e amadurecimento, reconhecermos que criamos expectativas e que o outro não tem obrigação de atendê-las.

Isto é um fato. A raiva e o ódio, na realidade, representam como alguém se sente quando o outro não corresponde às suas expectativas. A raiva e o ódio não são do outro, mas sim de si mesma. A pessoa raciocina em termos internos que, se o outro a tratou mal, é porque ela deve ter feito algo errado ou que ela não tem um valor real.

Percebem isso? Compreender esse mecanismo é muito importante, para assumirmos nossas expectativas, liberemos o outro de ter que satisfazê-las e suprirmos nossas necessidades emocionais que, no geral, são: atenção, carinho, consideração, valorização.

Ora, se o outro sempre faz o que pode, sabe e quer, quem precisa atender e suprir nossas necessidades emocionais somos nós mesmos, certo? E lembre-se: sempre que você não é o motivo da ação de alguém, você é, no máximo, o alvo, porque os motivos são daquela pessoa, do seu próprio contexto emocional.

Reflita sobre isso!

Gostaria de elucidar uma postura bastante comum, principalmente nas mulheres, mas em homens também, com base na letra de uma música do Chico Buarque e Francis Hime: Atrás da Porta:

"Quanto olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei
Eu te estranhei
Me debrucei sobre teu corpo e duvidei
E me arrastei, e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
No teu peito,
Teu pijama, nos teus pés
Ao pé da cama, sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que ainda sou tua
Até pra provar que inda sou tua..."

O que vemos nesta letra? Uma mulher desesperada por conta do abandono do sujeito que ela gosta. É claro que numa situação como esta, os sentimentos de tristeza e frustração são normais. De fato, ninguém quer que o relacionamento acabe, quer ser abandonado ou relegado pela pessoa que julga amar.

Só que, veja bem, isto é comum. Prejudicial é quando a pessoa cultiva a sensação de ter sido abandonada porque ela não é boa ou não se comportou como o outro queria, ou seja: quando coloca o seu valor nas mãos e nas escolhas do outro. Cada pessoa tem livre arbítrio e pode se apaixonar por outras pessoas ou, simplesmente, ir embora, morrer, o que não significa que o valor de alguém esteja contido nessas ações ou escolhas.

Assim, perceba que o sofrimento pelo término de um relacionamento é real, mas a intensidade é opcional e aumenta muito quando nos depreciamos, culpamos e nos desconsideramos. Na música acima, percebemos como a mulher se humilha, perde sua dignidade ao não aceitar a decisão do seu companheiro e pensa numa vingança para, na verdade, resgatar o amor próprio. Age pelo ego ferido e não em prol de sua dignidade e valor real.

Voltando aos nossos buracos emocionais: como é que alguém pode suprir as suas necessidades emocionais de carinho, afeto, consideração, amor, atenção, valorização?

É muito simples e ao mesmo tempo difícil, porque envolve diretamente o processo de autoestima. Se você começar a se aceitar exatamente como está nesse momento e investir em atitudes de autorespeito, começará a suprir-se emocionalmente.

Aceitar-se não é acomodar-se com o que está ruim, pelo contrário, aceitar-se é olhar-se com olhos carinhosos e perceber por onde começar o processo de mudança. Exemplo: uma pessoa obesa não inicia uma dieta e uma disciplina para emagrecer enquanto não aceita o seu corpo como está. Aceitar é olhar-se sem críticas e planejar ações de melhoria.

Uma pessoa obesa aceita o seu corpo gordo e disciplina-se para emagrecer. Caso contrário, engana-se quando se cobra emagrecer sem fazer o necessário para isso. Isso seria milagre.
Qual o caminho da aceitação? Dar-se atenção, observar e respeitar as vontades, o ritmo, sem exigências absurdas ou achar que precisa corresponder às expectativas dos outros.

Ora, se cada um é responsável por si mesmo, bem como pelas próprias medidas, como é que você pretender atender 100% da expectativa do outro? Isto seria mimo, não o ajudaria. Seria auto-abandono e desrespeito, pois viveria para o outro e não para si. Assim, o que sobra? Agir pelo seu bom senso, bondade autêntica e pelo coração.

Dar-se carinho, amor, respeito é se amar incondicionalmente e valorizar a própria natureza, que, com os seus toques, avisa a todo o momento sobre o que estamos fazendo para nós mesmos. Costumo dizer que o que sentimos está relacionado ao que fazemos conosco e não necessariamente ao que nos acontece.

Ou seja, a forma com que lidamos com as coisas de nossa vida, reflete em nosso sentir, e o sentir-se bem é uma forma de a natureza nos dizer que estamos no caminho certo; o contrário, mal estar, tristeza, angústia nos avisa que estamos em posturas ruins, nos depreciando, nos cobrando, enfim, nos fazendo mal. Perceba o que sente, é a sua natureza falando com você.

Assim, através de um simples exercício, você estará começando a se dar atenção, consideração, carinho e prazer. Todos os dias, pare por um minuto e se pergunte: "o que vou fazer de bom para mim hoje?" O simples fato de parar, prestar atenção às idéias que surgem, considerá-las, aceitá-las e colocá-las em pratica, já é o início do processo de auto-suprimento.

Parece simples demais? Pois é, a vida é simples, com suas leis imutáveis, somos nós que a complicamos quando não estamos centrados em nosso sentir, quando pensamos demais, quando queremos mudar os outros para agirem em nosso benefício, quando não nos propomos a aprender através de cada situação em nossa vida. 

  • Comentários (2)
publicado - 11 de Abr, 2012 23:16
Mlucia Silveiro
Como sempre a Lourdes Possatto ajudando muito tornando simples tudo aquilo que parece complicadíssimo.Abraços e obrigada MLucia
publicado - 02 de Ago, 2011 08:57
Ana Alonso
Bom dia. Mais uma vez quero demonstrar minha admiração a Lourdes Possato. Através de seus livros e comentários, aprendo muito. Abraços. Ana Paula
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