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Medos, por Lourdes Possatto


É bom esclarecer que ter medo é normal e faz parte do instinto de preservação da vida. Os medos podem nos pedir para tomarmos cuidado, prestarmos mais atenção; em contrapartida, um medo muito grande tende a nos paralisar. Os medos, na maioria das vezes, significam que temos certos potenciais que não estamos utilizando direito e os medos aparecem, justamente, para tomemos consciência disso.

Medo de abandono/isolamento:

Podemos dizer que todos nós vivenciamos situações em que houve medo do abandono: pode ter sido um simples afastamento de nossa mãe em um momento que não queríamos; ou ter se perdido em um determinado local; ter, de fato, sido uma criança rejeitada, doada, entre outros. Esses medos ficam registrados no Eu emocional e, a partir deles, criam-se os decretos e crenças defensivas que normalmente envolvem atitudes perfeccionistas, através das quais, na maioria das vezes, a pessoa se cobra agradar a todos, atender às expectativas do mundo, não errar - buscando ser aceita, amada. Obviamente, são pessoas que temem ser mais verdadeiras porque acham que, se magoarem o outro, vão acabar sozinhas e abandonadas.

Dicas:

  • Trabalhar o acolhimento e aceitação dos medos do Eu emocional. Mudar as posturas, a partir das quais, a pessoa preenche aqueles vazios emocionais e se transforma num ser inteiro e que tem valor.
  • A própria pessoa é que precisa “se” fazer companhia e “se” aceitar e valorizar, ou seja, precisa mudar e ser autêntica e verdadeira consigo, agindo de forma natural, sem sacrifícios.
Medo de abrir-se/liberar-se:

Este é o típico medo de pessoas contidas que aprenderam a ter receio de se expor e correr riscos, muito em função da provável sensação de vulnerabilidade e das críticas que temem receber. O próprio medo mostra que a natureza dessas pessoas é mais livre e solta.

Dicas:

  • Colocar-se em contato com as vontades verdadeiras e dar espaço à expansão desse Eu que, provavelmente, foi muito podado e recolhido. É necessário trabalhar auto-aceitação e ausência de críticas.
Medo de animais:

É interessante perceber o que o animal representa para uma pessoa – ele pode, eventualmente, significar potenciais de força, agressividade, sexualidade, flexibilidade, esperteza, agilidade, entre outros. São potenciais que são projetados no animal, potenciais esses que a pessoa tem dificuldade de perceber ou assumir em si mesma.

Dicas:

  • O significado é sempre pessoal e é interessante que a pessoa defina o que o animal significa para ela.
  • Empreste uma voz ao animal para ele descrever-se. O que ele diria de si mesmo, com relação aos seus potenciais e capacidades?
  • Anote isso e tente absorver essa descrição, pois esse conteúdo é seu, com certeza, senão não haveria o medo e a conseqüente projeção disso no animal.
Medo de errar/falhar:

Geralmente, quem tem medo de errar, de se expor e de falhar, embute também o medo de ser criticado; normalmente carrega crenças, decretos e defesas embutidos, através dos quais, a pessoa acredita que se errar e se for criticada, deixará de ser “o modelo adequado” que se cobra ser, e correrá o risco de “ser rejeitada” ou “abandonada”.

Dicas:

  • Perceber o quanto é impossível não errar, uma vez que o erro faz parte do treino e da aprendizagem, portanto não é errado errar.
  • O erro é apenas um resultado diferente do que esperávamos. Podemos aprender algo a mais e levar essa experiência para uma próxima etapa.
  • Se você não erra de propósito, tente aprender algo com o resultado gerado e continue, tente novamente, persista e, por favor, não se cobre não errar.
  • Estimular-se a agir da melhor forma que puder e perceber que esta ação não tem que ser perfeita.
Medo de envelhecer:

Acredito que este medo está muito ligado ao mimo, ao não aceitar as leis da vida como elas são. O envelhecimento é uma fase pela qual só passa quem não morreu antes. O que você prefere? Morrer ou envelhecer? Este medo pode estar ligado a idéias de limitações que fazemos sobre a velhice. Se for isso, perceba os limites que já impõe através de suas posturas. Existem jovens com posturas velhas e velhinhos muito joviais.

Dicas:

  • Ninguém pode colocar limites para você a não ser você mesmo, se você deixar ou se ceder.
  • Não colocar seu valor apenas na sua jovial aparência e não ter medo de envelhecer.
  • Velhice não significa, necessariamente, decrepitude; envelhecer pode ser seletividade, perceber melhor o que lhe faz bem.
  • O valor de uma pessoa está em ser tudo aquilo que é e não somente na aparência, na beleza física ou num aspecto de sua personalidade.
Medo de ser enganado/traído:

Este medo mostra como a pessoa se trai e auto-engana. Como é que alguém se trai ou se engana? Quando não entra em contato com seu sentir, com suas tendências mais genuínas e se deixa levar por contextos que cobram adequação, comportamentos estereotipados, chantagens emocionais, etc. Quando a pessoa finge que sente uma coisa quando na realidade, não sente. Quando expressa algo diferente do que está sentindo ou não se percebe claramente.

Dicas:

  • Ninguém pode trair você, o que existe é trair um contrato, um acordo, desrespeitando as regras acordadas.
  • Em um relacionamento, quem trai no mínimo se trai, por estar traindo seus próprios princípios, uma vez que está fazendo algo que provavelmente não gostaria que o outro lhe fizesse.
  • É importante que as pessoas conversem mais, que haja uma comunicação mais clara sobre as necessidades de cada um.
Medo de falar em público:

A pessoa, na maioria das vezes, tem medo de apresentar um desempenho ruim e de ser criticado, de gaguejar ou de ter um “branco” na memória. Ora, é importante perceber que ninguém tem um péssimo desempenho porque quer e, por outro lado, não pode se cobrar a responsabilidade de agradar a todos os ouvintes, pois cada um pode ter uma expectativa diferente.

Dicas:

  • Ao invés de focar em detalhes que não estão sob seu controle, use sua energia para elaborar o que vai falar e exercer centralidade, pois o que atrapalha realmente são as idéias catastróficas e cobradoras que essa pessoa em questão cultiva em sua mente.
  • O medo exagerado pode ser uma fobia social. Fique atento.

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